Revista Eu Amo Caminhão: Caminhões ganham novo acesso ao Porto do Rio


Considerado um dos principais corredores de logística de carga do Brasil, o Porto do Rio ganhou um novo acesso rodoviário para caminhões: a Avenida Portuária que liga a Avenida Brasil, em Manguinhos, aos portões 24 e 32 do Porto. A estimativa é de que trafegam pela via cerca de 2,6 mil veículos diariamente, e que esse volume contribua com melhorias no tráfego em vias próximas ao Porto, como a própria Avenida Brasil, além das Avenidas Rio de Janeiro, Rodrigues Alves e Francisco Bicalho.


Com 3,2 km de extensão, a Avenida Portuária tem 2,5 km de trecho compartilhado com a alça de ligação da Ponte Rio-Niterói com a Linha Vermelha, inaugurada há um ano. A nova via tem duas faixas de rolamento de 3,5 metros de largura, sendo uma para cada sentido, e elevados com gabarito mínimo de 5,5 metros de altura. É exclusiva para caminhões, sem permissão para carros de passeio, motos e coletivos. Os dois empreendimentos de R$450 milhões, previstos no atual contrato de concessão da Ecoponte, gerou cerca de 1,5 mil empregos diretos e indiretos. Caberá à concessionária o monitoramento por câmeras, manutenção, atendimento médico e mecânico.



Para o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, o empreendimento é a constatação de que o “programa de concessões é um acerto”. Ele comentou sobre o caráter de mobilidade urbana da obra, onde o desvio do tráfego de caminhões favorece toda a logística das avenidas do centro do Rio. Segundo ele, “o governo Federal trabalha em duas frentes: na remodelação das concessões e na garantia dos investimentos das concessões anteriores. Estamos garantindo que as melhorias cheguem para a sociedade e zelando pelo cumprimento dos contratos”.


O diretor-presidente da Companhia Docas do Rio de Janeiro - CDRJ, Francisco Antonio de Magalhães Laranjeira, destacou que a importância do novo empreendimento para o setor de transporte rodoviário de cargas está na melhoria “consideravelmente do acesso terrestre ao Porto do Rio de Janeiro, além de ampliar a segurança viária e a fluidez do tráfego. Com a nova avenida, será possível distribuir a entrada de veículos de carga entre dois portões do Porto: o 24, na Avenida Rio de Janeiro, e o 32, na Rua General Sampaio”.

Já o diretor de Gestão Portuária da CDRJ, Mário Povia, anunciou quatro frentes de trabalho com reflexos diretos para o setor. A primeira, a implantação de uma Área de Apoio Logístico Portuário - AALP nas imediações do porto organizado do Rio de Janeiro, com vistas a apoiar os profissionais de transporte no período de pré-agendamento das entregas ou retiradas de mercadorias nos terminais portuários. A outra, a instalação de um Truck Center no âmbito do porto organizado de Itaguaí.



A terceira frente, adiantou Mário Povia, é a reforma das atuais instalações do Pátio de Triagem de Veículos Pesados do Porto de Itaguaí, envolvendo reforço da pavimentação, melhoria na iluminação e reforma das instalações de uso comum. E a última, a implantação do Sistema de Gerenciamento de Acesso Docas - SGAD, que consiste basicamente na automação dos gates de entrada, o que permitirá uma nova dinâmica na recepção de veículos de carga nos portos do Rio de Janeiro e Itaguaí, aumentando a eficiência e segurança, além de proporcionar uma sensível redução no tempo de espera dos veículos que demandam o porto.


Avenida Portuária foi concebida em 2006, como parte do programa Porto do Rio Século XXI

Idealizador do projeto, Delmo Pinho, secretário de Estado de Transportes, e presidente do Conselho Empresarial de Logística e Transporte da Associação Comercial do Rio de Janeiro, conta que a ideia da construção da Avenida Portuária surgiu para atender uma demanda da região. O trecho da Avenida Brasil que dá acesso ao porto sempre foi de maior congestionamento. Com a presença de caminhões, a situação ficou ainda mais complicada, representando uma perda de competitividade no Porto do Rio.


“Em 2006, participamos de um planejamento estratégico, chamado Porto do Rio Século XXI, concebido pela Associação Comercial do Rio de Janeiro. Nós, conselheiros da associação e convidados, passamos um tempo estudando quais eram as deficiências do Porto, principalmente na questão dos acessos rodoviários, marítimos, ferroviário e no relacionamento do Porto com a cidade, o único no Brasil que está mais inserido dentro de uma grande metrópole. O Porto do Rio começa literalmente no centro da cidade, lá na Praça Mauá e vai até ao Caju”, recorda.

E foi assim que nasceu a ideia batizada de Avenida Portuária: conjunto de viadutos, fazendo a conexão direta entre a Avenida Brasil, na altura da Refinaria de Manguinhos, até o portão 32 do Porto, na altura do bairro do Caju. Essa conexão, explica o secretário, um viaduto com duas faixas de rolamento, sendo uma em cada sentido, é de uso exclusiva para caminhões, dando acesso direto ao Porto, alterando, consequentemente, o volume pesado do trânsito da parte mais sobrecarregada da cidade e, ao mesmo tempo, dando um diferencial positivo ao Porto do Rio.


“Além de reduzir o tempo de deslocamento e de custos, estamos aumentando a capacidade de recebimento e de expedição do Porto do Rio”, garante. Ao conceber o projeto, o secretário conta que se avistou a necessidade de uma complementação: “a Avenida Portuária tinha um projeto gêmeo, que veio junto com ele. Depois de seu detalhamento, percebemos que também poderia colocar uma alça de conexão entre a ponte Rio-Niterói, na pista sentido Rio de Janeiro e a Linha Vermelha”.




Delmo Pinho esclarece que eram constantes os congestionamentos na pista da Ponte, sentido Niterói-Rio, entre os horários de 15 e 16 horas, para quem seguia em direção à Avenida Brasil ou Linha Vermelha, pois, quando se saía na pista de descida da ponte na Avenida Brasil, dava em cima da faixa seletiva dos ônibus.


“Era uma confusão. Esse projeto gêmeo - Avenida Portuária com a alça na Linha Vermelha – resolveu, porque um passa exatamente por baixo. Enquanto na Avenida Portuária a alça vai para o chão, a da Linha Vermelha continua por cima. Na verdade, são dois viadutos acoplados: um que vai para o Porto, com duas mãos de tráfego e o outro que tira o trânsito da Ponte indo para a Linha Vermelha já num lugar que normalmente engarrafa menos”, esclarece, ressaltando a melhora no tráfego de toda a região, principalmente, o trânsito interno no Caju.


Pinho traz uma boa notícia para o setor de transporte rodoviário de cargas. Ele adianta que o órgão tem projetos que visam melhorar a infraestrutura e o valor de pedágio nas concessões de rodovias federais, além de um programa de concessão de rodovias do estado: “o governo do Rio e a sociedade, como um todo, são os mais atuantes no Brasil no acompanhamento e proposição das concessões de rodovias. Algumas já estão em consulta, para depois irem para a licitação. A previsão é de que tudo esteja concluído até o final deste ano”.


Fonte: Revista Eu Amo Caminhão

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