Casos de Síndromes Respiratórias Agudas Graves saltam em MS e mortes por SRAGs chegam a 60 no estado


Pesquisadores apontam que baixa testagem e subnotificação dificultam alcance e dimensionamento da Covid-19. Nove municípios de Mato Grosso do Sul recebem alerta e precisam de medidas urgentes para reduzir óbitos. Microrregiões de saúde de Corumbá, Campo Grande, Dourados e Naviraí registraram aumento acelerado na incidência da doença de 04 a 18 de julho. No período de 04 a 21 de julho, Campo Grande, Dourados e Corumbá foram responsáveis por 67 novos óbitos pelo novo coronavírus


A doença, que é responsável por mais de 621 mil mortes no mundo, mais de 82 mil no Brasil e 257 mortes em Mato Grosso do Sul desafia gestores públicos. Os desafios para enfrentar a pandemia não estão só na expressividade dos números da Covid-19 e na dificuldade de combate ao novo coronavírus, mas também na subnotificação e na baixa testagem que refletem a dificuldade de acesso, confiabilidade e disponibilidade dos dados sobre a doença.


E é isso que uma rede de pesquisadores de universidades públicas federais quer descobrir: o que há por trás dos números das Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAGs) e qual é a relação delas com a Covid-19. A suspeita não é nova, mas os dados de óbitos por SRAGs só começaram a ser disponibilizados pelas autoridades de saúde do estado nessa semana.

De acordo com o Relatório técnico descritivo: Geocartografia dos Indicadores de Morbidade e de Mortalidade da COVID-19 em Mato Grosso do Sul, da 27ª à 29ª semanas epidemiológicas, o período de 21 a 27 de junho, foram registrados, em Mato Grosso do Sul, 28 óbitos por Covid-19, enquanto as SRAGs foram responsáveis pela morte de outras 60 pessoas. Isso significa que morreram 2,14 vezes mais pessoas por Síndromes Respiratórias Agudas Graves do que por Covid-19 em uma semana no estado.


“A correta interpretação desse dado é fundamental para que as autoridades reconheçam a necessidade de alcançar níveis de testagens massivos para evitar distorções nos registros e interpretações dos dados. Ou admitimos os níveis que estas taxas de letalidade representam como possíveis casos de Covid-19 ou admitimos a baixíssima testagem nesses municípios. Acreditamos que tem mais gente morrendo de Covid-19 e muito mais casos que não aparecem nos dados oficiais”, sentenciou o professor e pesquisador da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Adeir Archanjo da Mota, que coordena uma equipe de pesquisadores multidisciplinares - epidemiologista, geógrafos(as) e comunicadora - da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) e da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB) e de acadêmicos dessas universidades.


Enfrentamento da realidade

Para a pesquisadora em Comunicação, Saúde e Políticas Públicas da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), professora Fernanda Vasques Ferreira, os gestores públicos precisam encarar a realidade da pandemia com responsabilidade com a preservação das vidas e pautados pela ciência. “Estamos diante de um fenômeno complexo - a doença. Não há espaço para ações que denotem amadorismo por parte dos gestores públicos. A doença já mostrou quais as marcas que irá deixar na sociedade e nos setores em todas as dimensões da vida humana. É momento de acolher os estudos científicos com seriedade e atenção, interpretá-los adequadamente e colocar em prática medidas que, de fato, reduzam os impactos da doença na vida das pessoas”, enfatizou a pesquisadora.


Segundo Fernanda Vasques Ferreira, ações coordenadas e balizadas nos princípios da saúde coletiva além de serem mais eficientes, eficazes e resolutivas, também transmitem o adequado nível de comunicação à população da gravidade da situação que a pandemia impõe. “Culpabilizar os indivíduos, responsabilizá-los por mortes e transferir para as pessoas a decisão que deve ser das autoridades que ocupam cargos institucionais - em especial os gestores públicos - é uma leviandade. A doença não pode ser tratada com preconceito, com estigmas, sob a guarida da religiosidade ou da moralidade. A doença precisa ser tratada pela ciência”, sentenciou a pesquisadora que tem projetos de pesquisa na área de comunicação e prevenção para a saúde. Segundo ela, é preciso tomar cuidado ao comunicar as informações oficiais relativas à Covid-19 para não criar falsas expectativas que possam gerar otimismo sem correspondência com a realidade.

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